Gestão da Manutenção · Prof. Rômulo Augusto · Eng. de Produção
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📚 Aula 1 · Engenharia de Produção

Conceito e Importância da Manutenção nas Organizações

Da manutenção corretiva reativa à inteligência artificial preditiva: fundamentos, evolução histórica, tipos, indicadores de desempenho e o papel estratégico da manutenção na Engenharia de Produção.

2 horas de aula
11 seções temáticas
6 vídeos de referência
6 quizzes de revisão
3 atividades práticas
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Cronograma — 2 Horas

Organização
Horário Tópico Detalhes
0:00–0:20Conceito e ImportânciaDefinição NBR 5462, etimologia, por que a manutenção é estratégica
0:20–0:45Evolução Histórica5 gerações: da corretiva rudimentar à Manutenção 4.0
0:45–1:05Tipos de ManutençãoCorretiva, preventiva, preditiva, detectiva — comparativo completo
1:05–1:15☕ Intervalo — 10 min
1:15–1:30Indicadores e Curva da BanheiraMTBF, MTTR, Disponibilidade, OEE — ciclo de vida dos ativos
1:30–1:45TPM e Manutenção 4.08 pilares do TPM, IoT, IA e manutenção preditiva digital
1:45–1:55Papel EstratégicoManutenção como vantagem competitiva e dados da ABRAMAN
1:55–2:00Quiz e AtividadesRevisão interativa + 3 atividades práticas
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Objetivos da Aula — Ao final desta aula, o aluno será capaz de: (1) definir manutenção segundo a NBR 5462; (2) distinguir os cinco tipos de manutenção; (3) calcular MTBF, MTTR e Disponibilidade; (4) identificar as cinco gerações históricas; (5) compreender o papel estratégico da manutenção na competitividade industrial.
Parte 1 · 0:00–0:20

Conceito de Manutenção

Definição, etimologia e importância industrial

A palavra manutenção tem raízes no contexto militar — significava "manter as tropas em condições de combate". Na indústria, evoluiu para um conceito estratégico amplo.

🏛️
Latim: manus tenere — "Segurar com as mãos". Origem militar: manter unidades de combate (efetivo e material) em condições operacionais. Migrou para a indústria no final do século XIX com a Revolução Industrial.
"Combinação de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida." NBR 5462:1994 — ABNT
"Manutenção é o conjunto de cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular e permanente de máquinas, equipamentos, ferramentas e instalações." Xenos (1998) — Gerenciando a Manutenção
"A manutenção é o conjunto de ações necessárias para conservar ou restaurar um item à condição de realizar sua função requerida, garantindo disponibilidade, confiabilidade e segurança." Viana (2002) — PCM e Gestão de Ativos

Por que a Manutenção é Importante?

4,1%
do Faturamento
Custo médio de manutenção nas empresas brasileiras (ABRAMAN 2022)
R$120bi
por ano
Investimento total em manutenção no Brasil (ABRAMAN 2009)
60%
de ganho potencial
Melhoria possível nos processos com gestão eficaz da manutenção
35%
menos corretivas
Redução em ordens de manutenção corretiva com gestão estruturada
💡
Conceito-Chave — Manutenção ≠ apenas "consertar o que quebrou". Envolve planejamento, engenharia, confiabilidade, segurança e custos. Uma boa manutenção preserva a competitividade da empresa ao garantir disponibilidade máxima dos ativos produtivos.

Tripé da Manutenção Moderna

🔧

Disponibilidade

Garantir que os equipamentos estejam operacionais quando necessário. Quanto maior a disponibilidade, menor o impacto de falhas na produção.

🛡️

Confiabilidade

Capacidade do ativo de desempenhar sua função por um período determinado, sem falhas. Medida pelo MTBF — Tempo Médio Entre Falhas.

💰

Gestão de Custos

Equilíbrio entre custo de manutenção (evitar gastar demais) e custo de falha (evitar paradas caras). Otimização é a chave.

O que é Gestão da Manutenção?

Conceitos fundamentais, importância industrial e visão geral da disciplina

Conceitual

Manutenção como Diferencial Competitivo

Por que empresas líderes investem em manutenção — impacto no resultado

Estratégia
Parte 2 · 0:20–0:45

Evolução Histórica da Manutenção

5 gerações ao longo de 260 anos de industrialização

A manutenção industrial percorreu cinco gerações ao longo de 260 anos, evoluindo de reparos rudimentares a sistemas autônomos com inteligência artificial.

1760 – 1914 · GERAÇÃO 1
Os Primórdios — "Quebrou, consertou"
Manutenção praticamente inexistente como disciplina. Máquinas eram robustas e superdimensionadas. Atividades limitadas a limpeza básica e lubrificação. Não havia departamentos específicos — o próprio operador realizava os reparos quando a máquina parava completamente.
Corretiva TotalSem PlanejamentoProdutividade Baixa
1914 – 1945 · GERAÇÃO 2
1ª e 2ª Guerras — Nascimento da Preventiva
Durante a 1ª GM percebeu-se a vantagem de equipes independentes para reparar máquinas. Na 2ª GM, métodos de prevenção de falhas foram desenvolvidos com análises estatísticas. Surgem os primeiros conceitos de manutenção preventiva. Manutenção separada da Produção na estrutura organizacional.
PreventivaEquipes EspecializadasAnálise Estatística
1945 – 1970 · GERAÇÃO 3
Aviação Comercial — Engenharia de Manutenção
Com o crescimento da aviação comercial (onde corretiva em pleno voo é inviável), expandiram-se os critérios de manutenção preventiva. Surge a Engenharia de Manutenção como disciplina formal. No Japão nasce o conceito de TPM — Total Productive Maintenance (1969, JIPM).
Engenharia de ManutençãoTPM — JapãoConfiabilidade
1970 – 2000 · GERAÇÃO 4
Tecnologia da Informação — Manutenção Preditiva
Surgem instrumentos eletrônicos: análise de óleo, medições de vibração, ferrografia e monitoramento remoto. A manutenção preditiva ganha força. CMMS (Sistemas de Gerenciamento de Manutenção) passam a controlar ordens de serviço.
PreditivaVibração / Análise de ÓleoCMMSRCM
2000 – Hoje · GERAÇÃO 5
Manutenção 4.0 — IoT, IA e Gêmeo Digital
Sensores IoT monitoram equipamentos em tempo real. Inteligência Artificial e Machine Learning preveem falhas com antecedência. Digital Twins permitem simular o comportamento dos ativos. A manutenção eleva-se a posição estratégica, reportando à diretoria de operações.
IA / Machine LearningIoTDigital TwinEstratégica
📊
Dado Nacional — ABRAMAN — Segundo a ABRAMAN, a manutenção possui potencial de melhoria nos processos na ordem de 60% — representando ganho direto na produtividade das equipes de campo de até 50% e redução nos custos diretos de manutenção de até 15%.

As Gerações da Manutenção Industrial

Da manutenção corretiva à Indústria 4.0 — linha do tempo completa

Histórico
Parte 3 · 0:45–1:05

Tipos de Manutenção

Corretiva, preventiva, preditiva, detectiva e TPM — aplicações e comparativo

A NBR 5462 organiza os tipos de manutenção em duas grandes categorias: planejada e não planejada. Cada tipo tem sua aplicação estratégica específica.

Corretiva Não Planejada
Emergencial — após a falha total
  • Realizada após ocorrência inesperada de falha
  • Equipamento parou completamente
  • Custo mais alto: parada + reparo emergencial
  • Risco de danos secundários
  • Evitar ao máximo — exceto baixa criticidade
🔧
Corretiva Planejada
Após falha detectada — intervenção agendada
  • Falha identificada antes da parada total
  • Intervenção programada para momento oportuno
  • Custo menor que emergencial
  • Produção pode ser ajustada
  • Ex: trocar correia com desgaste visível
📅
Preventiva
Intervenções periódicas programadas
  • Realizada em intervalos regulares (tempo/uso)
  • Objetivo: evitar falhas antes que ocorram
  • Prolonga vida útil dos equipamentos
  • Baseada no MTBF estimado do fabricante
  • Ex: troca de filtros, lubrificação periódica
📊
Preditiva
Baseada na condição real do ativo
  • Monitora continuamente parâmetros do equipamento
  • Intervém somente quando indicadores saem do padrão
  • Técnicas: vibração, termografia, análise de óleo
  • Reduz intervenções desnecessárias
  • Requer investimento em sensores e sistemas
🔍
Detectiva
Identifica falhas ocultas em sistemas de proteção
  • Voltada para sistemas de proteção e segurança
  • Verifica se o sistema de proteção funciona
  • Detecta falhas não visíveis durante operação normal
  • Fundamental em petróleo, química, energia
  • Ex: testar se detector de incêndio dispara

Comparativo dos Tipos de Manutenção

CritérioCorretivaPreventivaPreditiva
Quando atuaApós a falhaEm intervalos fixosQuando a condição indica
Custo de intervençãoAlto (emergência)Médio (programado)Baixo (otimizado)
PlanejamentoNenhumAlto (cronograma)Muito alto (monitoramento)
Tecnologia requeridaNenhumaBaixaAlta (sensores, análise)
Risco de paradaMáximoReduzidoMínimo
Indicado paraAtivos de baixo custoMaioria dos equipamentosAtivos críticos

Corretiva, Preventiva e Preditiva — Comparativo

Diferenças, aplicações e quando usar cada tipo de manutenção

Tipos
Parte 4 · 1:15–1:30

Indicadores de Desempenho (KPIs)

MTBF, MTTR, Disponibilidade e OEE — fundamentos e cálculo

Os KPIs de manutenção permitem medir, monitorar e otimizar processos operacionais. Os mais importantes são MTBF, MTTR e Disponibilidade, padronizados pela NBR 5462.

MTBF
Mean Time Between Failures
TD ÷ N° de Falhas
Tempo Médio Entre Falhas. Indica o intervalo médio de operação entre uma falha e a próxima. Quanto maior, melhor — equipamento mais confiável.
MTTR
Mean Time To Repair
Σ Tempo de Reparo ÷ N° Reparos
Tempo Médio para Reparo. Mede a eficiência da equipe de manutenção em restaurar o equipamento após uma falha. Quanto menor, melhor.
A%
Disponibilidade (Availability)
MTBF ÷ (MTBF + MTTR) × 100
Disponibilidade dos Equipamentos. Percentual do tempo em que o ativo está disponível para operar. Meta world-class: ≥ 95%.
OEE
Overall Equipment Effectiveness
Disp × Desemp × Qualidade
Eficiência Global dos Equipamentos. Indicador mais abrangente do TPM. Combina Disponibilidade, Desempenho e Qualidade. Meta world-class: ≥ 85%.

Exemplo Prático — Calculando os KPIs

📝
Cenário: Um compressor industrial operou 720 horas em um mês. Ocorreram 3 falhas. Os tempos de reparo foram: 4h, 6h e 2h.
Tempo disponível
720 h
MTBF
(720-12) ÷ 3 = 236 h
MTTR
(4+6+2) ÷ 3 = 4 h
Disponibilidade
236÷240 = 98,3%
📐
Norma NBR 5462:1994 (ABNT) — A NBR 5462 padroniza a terminologia de confiabilidade e mantenabilidade no Brasil, definindo termos como falha, pane, confiabilidade, mantenabilidade e disponibilidade. É a referência normativa fundamental para toda a gestão de manutenção no Brasil.

MTBF, MTTR e Disponibilidade — Como Calcular

Indicadores fundamentais de manutenção com exemplos práticos industriais

KPIs
Parte 5 · 1:15–1:30

Curva da Banheira (Bathtub Curve)

Ciclo de vida dos equipamentos e estratégias por fase

A Curva da Banheira representa o comportamento da taxa de falhas ao longo do ciclo de vida de um equipamento. Seu formato — alto, baixo, alto — é semelhante ao de uma banheira vista lateralmente.

Tempo de vida do equipamento → Taxa de Falhas → FASE 1 Mortalidade Infantil FASE 2 Vida Útil — Falhas Aleatórias FASE 3 Desgaste / Envelhecimento → Corretiva / Garantia → Preventiva + Preditiva → Preventiva / Substituição
🚼

Fase 1 — Mortalidade Infantil

Alta taxa de falhas logo após a instalação, decrescendo rapidamente. Causas: defeitos de fabricação, erros de instalação. Estratégia: Manutenção corretiva + garantia do fabricante.

⚙️

Fase 2 — Vida Útil

Taxa de falhas baixa e constante — o período "dourado" do equipamento. Falhas ocorrem de forma aleatória. Estratégia: Preventiva + Preditiva para maximizar esta fase.

Fase 3 — Desgaste

Taxa de falhas crescente — o equipamento está envelhecendo. Estratégia: Preventiva intensa, análise de custo × substituição. Planejar a reposição do ativo.

🎯
Aplicação Prática — Conhecer em qual fase da Curva da Banheira seu equipamento está é fundamental para escolher a estratégia de manutenção correta. Equipamento na Fase 2 com falhas crescentes pode estar migrando para a Fase 3 — sinal de alerta para revisão ou substituição programada.
Parte 6 · 1:30–1:45

TPM — Manutenção Produtiva Total

8 Pilares do TPM e OEE — zero falhas, zero defeitos, zero acidentes

O TPM (Total Productive Maintenance) é uma metodologia de gestão originária do Japão (JIPM, 1969) que visa zero falhas, zero defeitos e zero acidentes através do envolvimento de todos os colaboradores.

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Criado por Seiichi Nakajima no JIPM em 1969. Primeiro aplicado pela Nippondenso (Toyota Group). Introduzido no Brasil na década de 1980. O OEE (Overall Equipment Effectiveness) é o indicador central do TPM — meta world-class: ≥ 85%.

Os 8 Pilares do TPM

Pilar 1
🔧
Manutenção Autônoma
Operadores capacitados para limpeza, inspeção e pequenos reparos
Pilar 2
📅
Manutenção Planejada
Cronogramas de preventiva e preditiva. Objetivo: Quebra Zero
Pilar 3
Manutenção de Qualidade
Garante que equipamentos operem para produzir com qualidade
Pilar 4
🎯
Melhorias Específicas
Kaizens focados na eliminação das 6 Grandes Perdas
Pilar 5
🎓
Educação e Treinamento
Capacitação contínua de operadores e técnicos
Pilar 6
🚀
Controle Inicial
Incorpora manutenibilidade no projeto de novos equipamentos
Pilar 7
⚙️
Gestão Administrativa
Aplica filosofia TPM nas áreas de apoio e administrativas
Pilar 8
🛡️
Segurança e Meio Ambiente
Meta: Zero acidentes e zero incidentes ambientais
📈
OEE — As 3 Dimensões do TPMDisponibilidade (equipamento opera no tempo planejado) × Desempenho (velocidade real vs. nominal) × Qualidade (peças boas vs. total produzido) = OEE. Meta world-class ≥ 85%.
Parte 7 · 1:30–1:45

Manutenção 4.0 — IoT e Inteligência Artificial

Sensores, IA e Digital Twins revolucionando a manutenção preditiva

A Indústria 4.0 transformou a manutenção preditiva em ciência de dados aplicada. Sensores IoT, IA e Digital Twins permitem antecipar falhas com dias de antecedência.

🌐

IoT Industrial (IIoT)

Sensores de vibração, temperatura, corrente elétrica e pressão transmitem dados em tempo real. Monitoramento contínuo 24/7 sem intervenção humana. Redes LPWAN, 4G e Wi-Fi.

🧠

Inteligência Artificial

Algoritmos de Machine Learning aprendem os padrões normais de operação. Detectam anomalias sutis antes que evoluam para falhas. Redução de até 40% nos custos de manutenção.

🖥️

Digital Twin

Réplica digital do ativo físico, sincronizada com sensores em tempo real. Permite simular cenários "e se" sem parar a produção. Otimiza o planejamento de manutenção.

Manutenção Tradicional vs. Manutenção 4.0

AspectoManutenção TradicionalManutenção 4.0
Coleta de dadosManual, planilhas e inspeções visuaisAutomática — sensores IoT em tempo real
Detecção de falhasApós a quebra ou inspeção periódicaPreditiva — IA detecta anomalias antecipadamente
PlanejamentoBaseado em calendário ou horas de usoBaseado em condição real do ativo
Resposta a falhasHoras ou diasMinutos (alertas automáticos)
Custo de manutençãoReferência: 4,1% do faturamentoRedução de 20–40% com preditiva digital

Manutenção Preditiva com IoT e Inteligência Artificial

Como sensores e IA estão revolucionando a manutenção industrial

Ind. 4.0
Parte 8 · 1:45–1:55

Papel Estratégico da Manutenção

Manutenção como função estratégica e PCM — Planejamento e Controle

A manutenção deixou de ser "centro de custo" e tornou-se função estratégica nas organizações modernas — gerências que reportam diretamente à diretoria de operações.

💹
Impacto Financeiro
Centro de investimento estratégico
  • Parada não programada: R$ 10 mil a R$ 1 milhão/hora
  • Manutenção eficaz é investimento — não despesa
  • Custo do ciclo de vida dos ativos
🏭
Qualidade e Produtividade
Equipamentos bem mantidos produzem melhor
  • Equipamentos bem mantidos produzem dentro das especificações
  • Desgaste nos ativos gera variabilidade no produto final
  • Impacto direto na qualidade e no refugo
🦺
Segurança do Trabalho
NR-12 e responsabilidade legal
  • Equipamentos sem manutenção são principal causa de acidentes
  • Manutenção preventiva e preditiva salva vidas
  • NR-12 exige manutenção em máquinas e equipamentos
🌿
Sustentabilidade
ESG na prática industrial
  • Equipamentos eficientes consomem menos energia
  • Vazamentos e derramamentos são prevenidos
  • Vida útil estendida reduz descarte prematuro

Manutenção na Engenharia de Produção — Interfaces

Área da Eng. de ProduçãoInterface com ManutençãoExemplo
PCPJanelas de manutenção planejadas no MPS/MRPParada programada semanal de 2h aos domingos
Qualidade (SPC, Six Sigma)Condição dos equipamentos afeta variabilidade do processoDesgaste do ferramental gerando defeitos
Lean ManufacturingOEE e TPM eliminam desperdícios de disponibilidadeKaizen de manutenção para reduzir setup
Ergonomia e SegurançaNR-12 exige manutenção em máquinasInspeção de dispositivos de segurança
Logística e Supply ChainEstoque de peças sobressalentes (MRO)Gestão de lead time para peças críticas importadas
Gestão de ProjetosPERT/CPM para grandes paradas de manutençãoParada geral anual de uma refinaria
📋
PCM — Planejamento e Controle da Manutenção — O PCM é o coração administrativo da manutenção, integrando: Ordem de Serviço (OS), Plano de Manutenção (cronograma preventivo), Backlog (fila de serviços pendentes) e CMMS (sistema informatizado). Um PCM eficiente é o que transforma a manutenção reativa em manutenção estratégica.
Parte 9 · 1:55–2:00

Quiz de Revisão

Clique em cada pergunta para revelar a resposta

Q1 Qual é a definição de manutenção segundo a NBR 5462?
✓ Resposta: Segundo a NBR 5462 (ABNT/1994), manutenção é a "Combinação de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida." A norma também define confiabilidade, mantenabilidade e disponibilidade como conceitos centrais.
Q2 Qual a diferença fundamental entre manutenção preventiva e preditiva?
✓ Resposta: A preventiva é realizada em intervalos regulares de tempo ou uso, independente da condição real do equipamento (ex: trocar o filtro a cada 500 horas). Pode gerar intervenções desnecessárias. A preditiva monitora continuamente a condição real do ativo (vibração, temperatura, etc.) e intervém somente quando os indicadores saem do padrão — reduzindo custos e maximizando a vida útil do componente.
Q3 Um motor operou 480h em um mês. Ocorreram 4 falhas com tempos de reparo de 2h, 3h, 1h e 2h. Calcule MTBF, MTTR e Disponibilidade.
✓ Resolução:
Tempo total de reparo (TTR) = 2+3+1+2 = 8 horas
Tempo efetivo de operação = 480 − 8 = 472h
MTBF = 472 ÷ 4 = 118 horas
MTTR = 8 ÷ 4 = 2 horas
Disponibilidade = 118 ÷ (118 + 2) × 100 = 98,3% — excelente!
Q4 Quais são os 3 tipos de perdas medidos pelo OEE e o que cada um representa?
✓ Resposta: O OEE (Overall Equipment Effectiveness) mede:
1. Disponibilidade — equipamento estava operando no tempo planejado? (Perdas: falhas, setup e ajuste)
2. Desempenho — operou na velocidade nominal? (Perdas: paradas menores, velocidade reduzida)
3. Qualidade — produziu sem defeitos? (Perdas: defeitos, retrabalho, startup)
OEE = Disponib. × Desempenho × Qualidade. Meta world-class ≥ 85%.
Q5 O que é a Curva da Banheira e qual estratégia de manutenção se aplica a cada fase?
✓ Resposta: A Curva da Banheira representa a taxa de falhas ao longo da vida de um equipamento, com três fases:
Fase 1 — Mortalidade Infantil: Alta taxa de falhas logo após a instalação → Manutenção corretiva + garantia do fabricante.
Fase 2 — Vida Útil: Baixa taxa de falhas, aleatórias → Preventiva + Preditiva para prolongar esta fase.
Fase 3 — Desgaste: Taxa crescente por envelhecimento → Preventiva intensa; avaliar custo de manutenção vs. substituição do ativo.
Q6 Cite 3 interfaces entre Manutenção e Engenharia de Produção com exemplos concretos.
✓ Resposta (exemplos):
1. PCP × Manutenção: O MPS deve incluir janelas de manutenção — ex: parada semanal de 2h para preventiva minimiza interferência na meta de produção.
2. Qualidade × Manutenção: No CEP, aumento na variabilidade pode indicar desgaste de ferramental → manutenção corretiva planejada evita defeitos em série.
3. Lean × Manutenção: TPM e OEE eliminam os desperdícios do tipo "equipamento parado" — a Manutenção Autônoma integra operadores ao processo de manutenção reduzindo o tempo de resposta a falhas.
Parte 10

Atividades Práticas

3 atividades para consolidar o aprendizado

💬 Em Sala

Diagnóstico de Manutenção

Em grupos de 3, escolha uma empresa industrial. Identifique: (a) qual tipo de manutenção predominante, (b) 3 equipamentos críticos, (c) um indicador KPI relevante e (d) uma proposta de melhoria no modelo de manutenção atual.

⏱ 15 minutos + 5 min de discussão
🏠 Para Casa

Análise da Curva da Banheira

Pesquise um equipamento industrial de sua escolha. Identifique: em qual fase da Curva da Banheira ele tipicamente opera ao longo de sua vida, quais técnicas preditivas são recomendadas e qual o MTBF típico documentado pelo fabricante.

⏱ Entrega na próxima aula
🔬 Projeto Conceitual

Plano de Manutenção Básico

Escolha: (A) linha de envase de bebidas, (B) compressor de ar industrial ou (C) esteira transportadora. Elabore: tipos de manutenção adequados, frequências sugeridas, KPIs a monitorar, e indique em qual pilar do TPM cada ação se enquadra.

⏱ Apresentação em 2 semanas
📚
Leitura Complementar — XENOS, H.G. Gerenciando a Manutenção Produtiva. EDG, 1998. | VIANA, H.R.G. PCM — Planejamento e Controle da Manutenção. Qualitymark, 2002. | ABRAMAN. Documento Nacional — A Situação da Manutenção no Brasil. Edição 2022. | NBR 5462:1994 — Confiabilidade e Mantenabilidade. ABNT.
Referências

Fontes e Bibliografia

01ABNT. NBR 5462: Confiabilidade e Mantenabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994.
02XENOS, H.G. Gerenciando a Manutenção Produtiva. Belo Horizonte: EDG, 1998.
03VIANA, H.R.G. PCM — Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
04NAKAJIMA, S. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Productivity Press, 1988.
05ABRAMAN. Documento Nacional 2022 — A Situação da Manutenção e Gestão de Ativos no Brasil. ABRAMAN, 2022.
06ENGEMAN. O Surgimento e Evolução Histórica da Manutenção Industrial. engeman.net, 2023.
07TRACTIAN. 8 indicadores de manutenção indispensáveis: MTBF, MTTR etc. tractian.com, 2024.
08FM2S. Curva da Banheira: fases e aplicação na manutenção. fm2s.com.br, 2025.
09Material didático original: AUGUSTO, Rômulo. Gestão da Manutenção — Aula 1. Eng. de Produção, CDSA/UFCG, 2026.